Garoto- Borboleta

Era aproximadamente 8:00h da manhã, o sol enfeitando o céu produzindo cores aos corações. Eu, sentada na praça vi um garoto de mais ou menos 8 anos, não era um garoto bonito, era fanzino, cabelos com pequenos cachinhos, um olhar distinto, descalço, sem camisa, com um short velho, desbotado, jeans. Estava sentada na praça, a observar o menino que estava pulando pela grama macia, acariciando as flores, brincando sozinho.
Nao vi sinal de que sua familia estivesse por perto, não vi que pudesse ter algum amigo ao seu redor, e seu olhar me deixou curiosa, sem saber o porque de tanta alegria, de tanta simplicidade. Esse garoto tinha se esquecido que o mundo estava moderno, computadores, videogames parecia que nada daquilo lhe interessava. Ele pulava, rolava, sorria, brincava…


Não me contentei apenas em olhar, tive que ir até ele para perguntar aonde ele encontrará tal felicidade, por que em todos os meus anos eu nunca a tinha encontrado, queria saber que doce me faltava comer, para poder correr e brincar assim. Me aproximei, nao sei se por susto ou surpresa o garoto parou e fixou o olhar dentro do meu olhar, me fez sentir vergonha de mim mesma, pq em todos esses anos eu nao havia aprendido nada do que aquele garoto sabia. Quebrando o impacto inicial, perguntei a ele por sua familia, ele sorriu e apontou para um corredor de arvores que davam acesso a lugar nenhum, só a uma floresta escura e que para uma criança deveria ser perigosa, não entendi a resposta do garoto que em seguida me deu as costas e continuou a brincar, voltei ao banco e já nao podia tirar os olhos do dele. A manhã passou, junto veio a tarde e o garoto seguia brincando, não tinha parado para nada, nem para comer, nem para beber, e seus pais ate entao não tinham aparecido. Comecei a me preocupar, ja quando a noite caia, o garoto parou, olhou para o céu, respirou e saiu correndo em direçao ao corredor de arvores, eu discretamente o acompanhei.foi um longo caminho, eu acompanhando os passos do garoto que entrou em uma especie de caverna, eu o segui. para o meu espanto, quando entrei nao vi mais o garoto, só o cheiro de rosas, na caverna vazia, pequena e escura, so havia uma pedra fria no meio do local. sentei-me ali e comecei a chorar, chorei por minha vida, chorei por nao saber viver, chorei por ter encontrado nos olhos do garoto a felicidade, chorei por nao ter mais o garoto… chorei,
chorei…

Minhas lágrimas que rolaram deciam sobre minha face e pingavam levemente e docemente na pedra fria, a qual eu me havia sentado. Levantei-me e fui para casa. No outro dia voltei ao parque, mas nao vi mais o garoto, voltei a pequena caverna onde so havia uma pedra fria, e foi ali que eu passei a estar parte do meu tempo. Sozinha, sentindo cheiro de rosas, e a presença do garoto. E a cada vez me afastava mais da sociedade para ficar na caverna, pois ali havia encontrado a minha paz interior.Um dia ao chegar na caverna notei que em cima da pedra nascia uma planta, que eu passei a cuidar, a planta cresceu transformando-se em uma linda rosa, que eu a tinha como amiga e companheira. Muito tempo depois, estava distraida sentada no chão, olhando para a pedra aonde agora sentava a rosa, e vi algo que nao tinha nunca visto na caverna, uma borboleta. A mesma pousou sobre a rosa, e eu a olhei, reconheci na borboleta um olhar que eu ja tinha viso antes, o olhar do garoto.
Hoje, 15 anos depois, estou sentada no sofá de minha casa, conectada a internet, desde aquele dia não voltei mais a caverna, nem ao parque. passei anos sentada em um banco esperando que algo novo aparecesse, quando vi um garoto que me levou a uma caverna, passei anos dentro desta caverna, achando que tinha encontrado alguma fortaleza ate quando encontro uma borboleta. A caverna já tinha muitos habitantes, uma flor, uma borboleta e eu já não tinha mais espaço ali. Vi o olhar do garoto, entre a borboleta e a rosa, percebi que tinha encontrado algo especial. O amor.
Esse que me move e me faz sair de uma caverna, e me ensina a viver em sociedade e acompanhar a época em que vivemos, esse que transforma garoto em borboleta, esse que agora me transformou na rosa.

Minhas lágrimas molharam a pedra dura do meu coração e me fez brotar, de vez em quando sinto as asas de uma borboleta…

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. gnumax
    fev 21, 2008 @ 02:13:44

    Me siento muy identificado con esta historia. 🙂

    Responder

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